CONSIDERAÇÕES SOBRE ORÇAMENTO PÚBLICO

CONSIDERAÇÕES SOBRE ORÇAMENTO PÚBLICO


O orçamento público é considerado como instrumento de governo, de administração, efetivação e execução dos planos gerais de desenvolvimento socioeconômico, tornando-se, então, ato preventivo e autorizativo das despesas que o estado deve efetuar em um exercício financeiro.

Por sua vez, o orçamento é utilizado pelos governos para organizar os seus recursos financeiros por meio dos instrumentos como o Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA) e estima as receitas e fixa as despesas durante o exercício financeiro.

O orçamento público possui três funções econômicas orçamentárias: alocativa, distributiva e estabilizadora. Na função alocativa o Estado atua diretamente na produção de bens, alocando recursos, por meio do Orçamento Público, por exemplo, para que empresas governamentais atuem diretamente na oferta de bens à sociedade. De acordo com a função distributivao governo se utiliza do Orçamento para promover políticas de distribuição de recursos públicos como forma de tentar minimizar a disparidade na distribuição de renda.

Em termos macroeconômicos, a política fiscal por meio do Orçamento Público visa promover ajustes para que a economia atinja adequado nível de estabilidade. Essa função estabilizadora é importante com vistas atingir um alto nível de empregabilidade, um grau razoável de estabilidade nos preços, equilíbrio no balanço de pagamentos e uma aceitável taxa de crescimento econômico.

Destacamos ainda, que dentro do orçamento público é possível observar áreas da atividade financeira como:

  • Obter Receitas, que podem ser correntes e de capital;
  • Despender Despesa, sejam elas despesa corrente destinada a manutenção ou de capital destinada a investimento;
  • Gerir o Orçamento onde estima-se receitas e fixar despesas
  • Criar Crédito por meio das operações de crédito

Por fim, temos as técnicas orçamentárias que vão desde o Orçamento Tradicional, caracterizado pela simples enumeração de itens de gasto, com o objetivo predominante de controle político, até técnicas mais modernas, como o Orçamento de Desempenho, que procura dotar o Orçamento Público de informações que permitam avaliar os resultados atingidos, em função dos custos incorridos, como forma de se comparar iniciativas distintas. Há ainda, a mais recente, o Orçamento Programa no qual considera os objetivos que o governo deve alcançar para elaboração de programas do PPA, com ênfase no que é realizado e no resultado, ou seja, determinação de responsabilidades com atingimento de objetivos e metas

A FLEXIBILIZAÇÃO DA LRF PELO STF E SEUS EFEITOS.

A FLEXIBILIZAÇÃO DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL

PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E SEUS EFEITOS.


 

 

A decisão concedida pelo Supremo Tribunal Federal no tocante a flexibilização da aplicabilidade das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF recai não somente para a União, mas para os Estados e Municípios, assim a decisão permitirá aos entes federativos realizar gastos sem a “angústia” do cumprimento do orçamento.

Algumas exigências estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF e pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) dificultam a implantação de ações e programas voltados a proteção da parcela vulnerável, qual seja, a sociedade.  A Constituição Federal reconhece, por sua vez, a possibilidade de adaptação, excepcionalmente, em casos de calamidade pública e emergencial do orçamento já previsto anteriormente.

Assim, a excepcionalidade caracterizada em face da calamidade pública sanitária, econômica e financeira vivenciada mundialmente na atualidade, faz permitir que o governo seja dispensado de apontar a fonte dos recursos para cobrir as despesas.

Os artigos discutidos e flexibilizados pela decisão do STF estabelecem que despesas obrigatórias de caráter continuado (ou seja, aquelas para investimentos em programas e políticas públicas) só podem ser feitas se o governo seguir as seguintes exigências:

 

  • Ter estimativas de impacto financeiro e orçamentário, tanto no ano em que a despesa entra em vigor quanto nos dois anos seguintes;
  • Estar de acordo com o Plano Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que são as leis que fixam as bases para a elaboração do Orçamento;
  • Ter seus efeitos financeiros compensados nos anos seguintes pelo aumento de receita ou redução de despesa.

 

Foi apresentado pelo governo que a incidência desses artigos no atual momento poderia violar o direito à saúde e que o artigo 65 da LRF, que autoriza medidas em situação de emergência, “não seria suficiente para garantir a celeridade decisória exigida pelo cenário vigente”.

 

Sabemos que o Direito à saúde predomina frente a outros princípios e estabelece patamares mínimos de aplicação de recursos na área, a fim de viabilizar uma preferência de investimentos nesse setor. A incidência das regras fiscais decorreria em uma afronta ao direito à saúde.

 

Embora a LRF seja um instrumento no qual garante, transparência, publicidade e responsabilidade fiscal quanto as receitas e despesas públicas trazendo para a Administração Pública um planejamento direcionado ao modelo gerencial que abrange diretamente as metas e resultados, esta pressupõe que em situações de calamidade pública possa haver um regime emergencial quanto a possibilidade da execução orçamentaria anteriormente planejada.

 

Por fim, é compreensível que a flexibilização da aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, se faz absolutamente necessária no sentido de que a situação de excepcionalidade vivenciada poderá acarretar consequências sem precedentes, no qual afetará, violentamente o orçamento já previsto e estabelecido, exigindo assim uma atuação estatal federal, estadual e municipal duradoura e coordenada no sentido de preservar a saúde e a própria subsistência econômica da sociedade.